Fundação Eduardo Carlos Pereira
e Seu Projeto de Sustentabilidade
O tema do desenvolvimento sustentável (sustentabilidade) é originário dos movimentos ambientalistas a partir da metade do século XIX, com a expansão das indústrias e da exploração agrícola e seus efeitos predatórios sobre o meio ambiente.
O Parque Nacional de Yellowstone (EUA) foi o primeiro marco significativo desse movimento. O aprofundamento do tema ocorreu no início do século XX focalizando a proteção dos seres humanos, inclusive os indígenas, dando origem a duas vertentes: preservacionista e conservacionista.
- Evolução do tema
Atribui-se ao engenheiro florestal Pinchot o crédito do desenvolvimento sustentável, posteriormente resumido em sustentabilidade. No final dos anos 60 ganhou força a consciência da face perversa do descuido com o meio ambiente. Com muitos eventos promovidos e/ou apoiados pela ONU e suas agências como a UNESCO, o movimento alcança hoje muitos gritos ambientalistas, alguns até excessivos ou ameaçadores, para despertar em todos a consciência preservacionista e conservacionista.
- Foco moderno
A ideia de um mundo melhor para todos sem prejuízo do meio ambiente ganhou corpo mundialmente, embora para muitos mais parece uma trapaça do capitalismo para mascarar os efeitos negativos da industrialização predadora. A magnitude da questão chegou ao lema: “pensar globalmente e agir localmente”, na expectativa de que cada segmento da sociedade – estado, empresas, igrejas e outros agrupamentos façam a sua parte. Hoje a sustentabilidade leva em conta:
2.1- sustentabilidade social: redução das distancias sociais entre os padrões de vida dos seres humanos;
2.2- sustentabilidade econômica: alocação e gestão dos recursos e investimentos públicos e privados;
2.3- sustentabilidade ecológica: manutenção de ambiente saudável de vida, evitando-se o consumo excessivo de recursos não-renováveis (água, energia etc.) e criando recursos renováveis, como pela biodiversidade, por exemplo;
2.4- sustentabilidade espacial: configuração urbana-rural equilibrada e mais cuidado com os assentamentos urbanos; e a
2.5- sustentabilidade cultural: respeito pela pluralidade de soluções apropriadas a cada cultura e a cada local.
A figura abaixo representa graficamente as principais dimensões organizacionais que asseguram o desenvolvimento sustentável moderno:
Fonte: Sustentabilidade e Responsabilidade Social – pg. 108
- Instituições sustentáveis
São as instituições que incorporam em suas ações as dimensões acima mencionadas. A figura seguinte representa graficamente o que se entende hoje como a sustentabilidade organizacionale suas responsabilidades:
Fonte: Sustentabilidade e Responsabilidade Social – pg. 109
A confluência da responsabilidade social e sustentabilidade das organizações leva ao mapeamento da evolução das expectativas sociais pelas instituições sustentáveis, aquelas que tem trajetórias em que a sua gestão abrange as áreas de atuação apresentadas no quadro abaixo:
Fonte: Sustentabilidade e Responsabilidade Social – pg. 110
Normas como as da série ISO 9000 e os prêmios de qualidade – FPNQ – estabelecem patamares mínimos para as organizações, independentemente das suas naturezas – com ou sem fins econômicos, inclusive a socioambiental.
Desse conjunto de ideias surgiram dois modelos de gestão como ferramentas de apoio ao tema da sustentabilidade:
3.1º.) tríplice linha de resultados (triple bottom line), com as três dimensões – econômica, social e ambiental – da sustentabilidade, consagrando a última linha (bottom line) como o lucro necessário para sobreviver e fazer novos investimentos. Este modelo se aplica, preferencialmente, a empresas e organizações prioritariamente sem fins econômicos (maiores ênfases: social e ambiental)
3.2º.) modelo dos três Ps, uma variação do anterior e se desdobra em Profit, People and Planet (lucro, pessoas e planeta), abrangendo as três dimensões da sustentabilidade, ilustradas no desenho abaixo:
Fonte: Sustentabilidade e Responsabilidade Social – pg. 117
Este segundo modelo aplica-se às organizações empresariais com fins econômicos, uma vez que associa a dimensão econômica ao lucro.
Desse conjunto de ideias surgem termos como turismo sustentável, agricultura sustentável, organizações sustentáveis e muitos outros...
O grande desafio é operacionalizar equilibradamente as dimensões desses modelos, o que demanda fortes competências de gestão dos dirigentes organizacionais.
- Algumas conclusões preliminares:
Do que vimos até agora e do que vem sendo publicado a respeito do tema da sustentabilidade, podemos registrar as seguintes conclusões:
- A sustentabilidade tem a ver com os negócios, e faz cada vez mais, parte do mundo corporativo e organizacional, independentemente da sua natureza (se com ou sem fins econômicos);
- Incluir a sustentabilidade nas práticas de negócios e empreendimentos significa, basicamente, a busca de resultados e a adoção de ações sem comprometer a continuidade das organizações, nem prejudicar a sociedade, nem o meio ambiente;
- No vocabulário comum da responsabilidade socioambiental usa-se com muita freqüência o termo PPP (people, planet e profit – pessoas, planeta e lucro), entendendo-se que a sustentabilidade tem a ver com a garantia da continuidade progressiva, concentrando-se em resultados econômicos, compromisso social e cultural e respeito ambiental correto, resumidos na relevância dos projetos, nas vantagens e benefícios sociais e ecológicos das ações empreendidas, com uma visão de longo prazo e um “novo modelo mental”.
- Cenário brasileiro
Em nosso país o cenário ambiental alcança progressos, mas em passos muito lentos e há uma grande distância entre os discursos e as práticas. A valorização das ideias sobre sustentabilidade ainda não mudou os hábitos e essa mudança do comportamento é lenta, leva tempo e carece de um papel estimulador permanente em todos os segmentos da sociedade
Pesquisa recente publicada nas mídias de São Paulo indicou que:
- o brasileiro tem elevado grau de consciência sobre o tema;
- em contrapartida, ele tem grande dificuldade em trazer o conceito para o seu
dia a dia (conexão entre fala e ação);
- há um grande ceticismo em relação à propaganda sobre atitudes “verdes” das
empresas, mais preocupadas em melhorar suas imagens públicas;
- produtos “verdes” estão acessíveis para consumidores de maior poder
aquisitivo.
A pesquisa realizada pelo grupo Havas com mais de 24.000 pessoas em 10 países, incluindo o Brasil com 2.532 respondentes, no primeiro semestre de 2009, revelou que a escassez de água e poluição ambiental ocupam o 3º. lugar nas preocupações (61%), ficando atrás de educação (68%) e violência (72%); já as mudanças climáticas preocupam 49% dos brasileiros.

Fonte: OESP, Caderno Especial sobre Sustentabilidade, pg. H6
- Sustentabilidade presente e futura da Fundação Eduardo Carlos Pereira
6.1- Síntese histórica de instituição da Fundação Eduardo Carlos Pereira
A Fundação Eduardo Carlos Pereira foi instituída pela Igreja Presbiteriana Independente do Brasil em 13 de maio de 1.963 com o nome de “Fundação Faculdade de Teologia Presbiteriana Independente”, tendo como seus primeiros conselheiros os doutores Célio de Melo Almada, também seu primeiro presidente, Silas Fonseca Redondo, Lauro Monteiro da Cruz e José Nogueira e os Reverendos doutores Rubens Cintra Damião, Francisco Guedelha, João Euclydes Pereira, Eliseu Vieira Gonçalves e Azor Etz Rodrigues.
No Estatuto de instituição, em seu Artigo 3º., consta que “A Fundação Faculdade de Teologia da IPI do Brasil terá por fim principal a manutenção da Faculdade de Teologia da IPI do Brasil e secundariamente poderá: a) criar outros cursos de ensino teológico ou leigo de qualquer grau, e cursos especiais de extensão e aperfeiçoamento técnico; b) amparar pesquisas no campo da teologia e no das ciências ou ramos que tiverem relações com ela; c) manter a publicação de revistas ou periódicos e patrocinar a edição de obras originais ou traduções valiosas para o emissor nos cursos que mantiver”.
A primeira diretoria da entidade foi composta por: presidente, Dr. Célio de Melo Almada, vice-presidente, Reverendo João Euclydes Pereira, secretário, Reverendo doutor Rubens Cintra Damião e tesoureiro, Reverendo Eliseu Vieira Gonçalves.
Na primeira reunião de 1.964, em 18 de fevereiro, o nome original foi alterado para “Fundação Eduardo Carlos Pereira”, nome que foi homologado pela Curadoria de Fundações do Ministério Público.
O Estatuto vigente foi homologado pela Assembleia Geral da IPI do Brasil em 04 de agosto de 2.006. O Conselho de curadores da gestão atual (2006-2010) é composto pelos doutores presbítero Wilson de Mattos Silva, reverendo Filippo Blancato, reverendo Kleber Nobre Queiroz e presbítero Sergio Ferreira de Lima, reverendos Enos Gomes da Silva e Sergio Francisco dos Santos e presbítero Arnold Hermann Ferle. A diretoria atual é formada pelos Presbíteros Ferle, presidente, Reverendo Sergio Francisco, vice-presidente, Presbítero Sérgio Ferreira, secretário e Reverendo Enos, tesoureiro.
6.2. Transformação Patrimonial e Vocações da nova propriedade no Município de Santa Isabel – SP
Diante da redução gradual de alunos nos três seminários existentes – São Paulo, Londrina e Fortaleza, e aumento constante dos custos fixos, além das necessidades de investimentos com a manutenção física do patrimônio e da infraestrutura operacional, fenômeno constatado igualmente nas demais instituições de educação teológica denominacional mantidas exclusivamente pelas igrejas instituidoras, o grupo de trabalho designado pela Assembleia Geral da IPI do Brasil aprovou o desenvolvimento de um projeto de transformação patrimonial da Fundação. Essa decisão implicou na venda das propriedades de Londrina e Fortaleza, com seus resultados direcionados para a aquisição de uma nova propriedade no Município supracitado, com o objetivo de se criar um futuro centro universitário, iniciando-se com a construção da nova Faculdade de Teologia da IPI do Brasil, para onde serão encaminhados os futuros candidatos ao Sagrado Ministério, quando da desativação da Faculdade de Teologia que ainda funciona temporariamente em São Paulo, no Edifício da FECP, na Rua Genebra, 180 – Bela Vista – capital de São Paulo, com o seu curso autorizado pelo MEC e seu futuro credenciamento, a partir de 2011.
A nova propriedade tem uma área total de 1.600.000 m2. Com o objetivo de orientar futuras decisões sobre o aproveitamento da nova área, foram aprovadas as seguintes vocações: a) abrigar a nova Faculdade de Teologia da IPI do Brasil, com toda infraestrutura necessária como biblioteca, secretaria, auditório-capela, sala de professores, laboratório de informática, alojamentos para alunos solteiros e casados, alojamento para professores, praças temáticas, estacionamentos e áreas de lazer/atividades esportivas; b) oferecer espaço para eventos (centro de convenções), cursos de curta duração, oficinas e outros de interesse da IPIB e da Fecp; c) oferecer espaço de convivência, integração e fortalecimento da família presbiteriana independente; d) oferecer, no futuro, condomínio para convivência de pastores jubilados e carentes; e) criar, no futuro, outras faculdades de padrão educacional diferenciado – futura Universidade Presbiteriana Independente; f) elaborar parcerias para projetos de responsabilidade sócio-ambiental com “laboratórios” de meio ambiente, aproveitamento de energia solar e reaproveitamento de água, além de reflorestamento compensatório orientado de acordo com as políticas públicas pertinentes. Inserido nessas vocações, está em curso a licitação de projetos arquitetônicos com vistas à construção da nova faculdade de teologia e elaboração de plano diretor de ocupação adequada da área na sua totalidade, visando evitar, no futuro, construções, os chamados “puxadinhos” que venham a deteriorar ou a depreciar a propriedade.
6.3. Fontes de recursos
A Fundação tem no seu horizonte as seguintes fontes de geração de receitas que são aplicadas nas suas atividades meio e fim:
a - receitas de aluguel com imóveis próprios, adquiridos para esse fim, no montante atual anual de R$ 516.000,00;
b - participação na parceria com o Cesumar – Centro Universitário de Maringá, em cursos de Educação a Distância, utilizando o espaço ocioso da Faculdade de Teologia – Edifício da rua Genebra, com o resultado médio/aluno/ano no montante estimado de R$ 300,00;
c – receitas com alunos que não tem bolsa dos Presbitérios, no montante anual médio estimado em R$ 3.600,00/aluno;
Além das fontes supra mencionadas, a Fundação Eduardo Carlos Pereira conta, para sua sustentabilidade, com as seguintes fontes alternativas de recursos:
1 - dotações da instituidora, a IPI do Brasil, com a destinação dos valores anteriormente distribuídos pelos 3 (três) seminários teológicos com a redução gradual proporcional às reduções institucionais no montante de R$ 840.646,70, em 2010, incluídas a verbas de investimentos e operacionais, deduzidos desse valor os custos dos funcionários ainda registrados nos CTMs de Campinas e Natal. Trimestralmente, a Fundação prestará contas à Comex da IPIB, das aplicações das suas verbas;
2 - corte e venda de madeiras do Sítio Floresta, com um conjunto de cerca de 12.660 árvores de pinus e 6.400 de eucaliptos em condições de corte e comercialização, dependendo apenas da autorização formal dos órgãos estaduais e municipais pertinentes e da licitação com os interessados – ambos os processos estão em curso; os valores estimados dessa madeira são da ordem de R$ 200.000,00 (dependendo das oscilações do mercado específico);
3 - viabilização de projetos de piscicultura e apicultura em parceria com empresas especializadas da região;
4 - viabilização de projeto de reflorestamento com o objetivo de produção de madeiras apropriadas e certificadas para futura geração de receita – mercado em crescimento pelas exigências ambientais atuais; ou alternativamente
5 - viabilização de venda parcial da propriedade para a IPI do Brasil para a construção de infraestrutura complementar da nova Faculdade de Teologia e outras instituições de ensino, geradoras de receitas, e para congressos, eventos e convivência da membresia da instituição e locação para terceiros;
6 - viabilização de eventual loteamento em regime de condomínio fechado, projeto já previsto na planta original da propriedade;
7 - negociação de aumento da participação nas vendas da Dholli – Comercial Imobiliária, processo já em andamento;
8 - retomada, oportunamente, do processo de aquisição de imóveis alugados, com a aplicação dos recursos oriundos da parceria com a Dholi – Comercial Imobiliária, valor anual atual médio de R$ 350.000,00.
7. Plano de contingência
As reduções graduais das contribuições das igrejas locais para a sustentação da estrutura de apoio e gestão da IPIB e o consequente reflexo na dotação para a Educação Teológica, acrescidos os custos de manutenção do Sítio Floresta, tem conseqüências diretas sobre a gestão das atividades da Fundação, além de restringir as possibilidades de investimento na construção da nova faculdade de Teologia no prazo previsto, especialmente em 2010. A regularidade dos repasses da dotação é fundamental para a gestão do Projeto de Educação Teológica da IPI do Brasil.
Frente a esse cenário e diante das perspectivas apresentadas, a Fundação está desenvolvendo um plano de contingência com o objetivo de viabilizar um projeto de parceria comercial gerador de renda com parte da propriedade de Santa Isabel, considerando que sua extensão está acima das necessidades da Fundação e da IPI do Brasil, conforme itens 6 e 7 acima expostos. Paralelamente, a Fundação E.C. Pereira está preparando o projeto arquitetônico da nova Faculdade de Teologia de Santa Isabel adequado para a obtenção do respectivo financiamento junto ao BNDES – Banco de Desenvolvimento Econômico e Social do Brasil, se for o caso.
Estudos nesse sentido estão em curso e no momento oportuno a Comex e/ou a Assembleia Geral da IPIB serão devidamente informadas e ouvidas.
- Estratégias de atuação
Para cumprir suas finalidades estatutárias, são definidas as seguintes linhas estratégicas de atuação da FECP:
8.1. Missão: prover educação teológica e missional para o fortalecimento do Ministério da Palavra e dos Sacramentos da IPI do Brasil e capacitação educacional e profissional em outras áreas do conhecimento, com elevado padrão de excelência, contribuindo para a formação integral e cidadã do ser humano.
8.2. Objetivos: a) oferecer cursos e programas de educação teológica e missional e de outros ramos do conhecimento, formando líderes para os diversos ministérios da IPI do Brasil e para outras demandas da sociedade brasileira, b) preparar líderes e cidadãos que atuem nas diversas dimensões, social, econômica, política e ambiental; c) viabilizar fontes de captação de recursos que garantam a sua gestão profissional e e sustentabilidade; d) fomentar e apoiar pesquisas, extensões e publicações que contribuam para a gestão do conhecimento teológico e científico; e) oferecer bolsas de estudos a alunos carentes na área de Teologia.
8.3. Princípios norteadores de suas ações: a) garantir a formação e a qualificação em dons e talentos de acordo com as necessidades da IPI do Brasil e da sociedade em geral; b) capacitar permanentemente seu corpo docente e de gestão; c) atuar sobre seus públicos-alvo qualificando-os para agirem na sociedade de forma ética e de respeito ao meio ambiente e à melhoria da qualidade de vida brasileira; d) esforçar-se para manter a longevidade e o crescimento da Fundação; e) atuar com o foco nas pessoas e sua capacitação, nos custos e nos resultados; f) desenvolver estratégias de aplicação e multiplicação de seus recursos; g) preservar e respeitar os princípios fundamentais da sua instituidora; h) viabilizar a gestão do seu patrimônio e fortalecer suas fontes de recursos de forma planejada e crescente, eliminando gradualmente a sua dependência financeira da instituidora, transformando, no futuro, a formação teológica num projeto social da Fundação, desonerando a IPI do Brasil desse encargo para que seja destinado a projetos de crescimento e fortalecimento institucional.
Nossa motivação permanente é “fazer mais e melhor, com menores custos, mas construindo coisas duradouras com excelência”.
“Soli Deo Gloria”
Pela Coroa Real do Salvador.
(Versão aprovada pelo Conselho de Curadores da Fundação Eduardo Carlos Pereira na reunião ordinária de 14/11/2009, com a inclusão das sugestões apresentadas pelos presentes).
Arquivo: Fecp-Sustentabilidade-e-vocações AG-COMEX
Versão em PDF
|